Oncologia: estratégias para vencer a crise precisam-se
A actual situação económica e financeira de Portugal foi um dos temas em debate no 12º Congresso Nacional de Oncologia, que se realizou de 11 a 15 de Novembro de 2011, em Albufeira.
Já na sessão inaugural do Congresso, o Dr. Ricardo da Luz referira que a situação económica e financeira de Portugal para os oncologistas «é duplamente problemática» dado que se por um lado os especialistas são obrigados a restringir as suas acções e a para colaborar num esforço global, por outro são esquecidas as insuficiências que há muito foram denunciadas pelos profissionais, nomeadamente ao nível estrutural, organizacional, ao défice de recursos humanos e de equipamento. Assim, acabou por reconhecer: «Reduzir o que já está reduzido, não programar o futuro, será sem dúvida considerado pelas gerações vindouras como um défice de humanidade.»
Mas, afinal, é possível conjugar a economia da saúde com o melhor tratamento dos doentes, de acordo com os responsáveis que participaram na mesa que analisou a o panorama actual económico para a área da saúde e as visões do director e do clínico na relação entre a economia e o tratamento oncológico.
Para o Dr. Laranja Pontes, presidente do conselho de administração do Instituto Português de Oncologia do Porto, as novas orientações que o Ministério da Saúde está a tentar introduzir tendo em vista a poupança nos excessos e uma preocupação com os tratamentos autorizados é um tema que já se encontra devidamente tratado. Inclusive, referiu que no IPO do Porto não têm existido conflitos e que as práticas realizadas são as aprovadas e as padronizadas para o tratamento dos doentes. A Dra. Lurdes Batarda, directora de Oncologia do Centro Hospitalar de Lisboa Central, acredita que a contenção dos gastos é possível ao mesmo tempo que se oferece o melhor tratamento aos doentes, algo que disse ser possível através da racionalização de recursos e considerou ser exequível conciliar a poupança com o tratamento adequado dos doentes.
