31 de Outubro2017 Doentes oncológicos insatisfeitos com sistema de acesso a tratamentos inovadores


O inquérito "Cuidados de Saúde em Oncologia: a visão dos doentes”, promovido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia, concluiu que os portugueses consideram que têm acesso dificultado aos tratamentos mais avançados, porque o sistema desvaloriza o impacto destes na qualidade de vida do doente. O inquérito teve como objetivo analisar a perceção dos doentes e sobreviventes de doença oncológica sobre os cuidados de saúde em Oncologia. 

O inquérito de perceções desenvolvido pela SPO mostrou que 63% dos inquiridos concorda que existe a ideia, entre a população portuguesa, que os doentes oncológicos não têm acesso aos tratamentos mais avançados, porque estes são percecionados como demasiados caros tendo em conta o impacto na sobrevida do doente.

Ainda assim, o impacto financeiro é apresentado como a menor das preocupações de um doente oncológicos. Dos inquiridos, apenas 2% apontam o impacto financeiro como principal preocupação em relação à doença. 60% dos inquiridos concordam ainda que em Portugal existem demasiadas assimetrias regionais no que diz respeito à prevenção e tratamento do cancro e 59% concordam que em Portugal falta implementar um programa de rastreios organizados de âmbito nacional.

No que diz respeito ao tratamento, os doentes são unanimes: 81% afirmam que foram envolvidos nas decisões relativas ao tratamento e 68% consideram este envolvimento muito importante. A clareza da comunicação e o esclarecimento da informação são os fatores que mais valorizam numa consulta. 42% colocam a satisfação com a equipa médica como o fator que mais valorizam durante o tratamento. É por estas razões que 64% preferem falar com o médico em caso de dúvidas sobre a doença ou o tratamento.

«É através destes inquéritos que se torna possível ter uma perspetiva da realidade dos doentes oncológicos e disponibilizar dados nacionais que nos permitam compreender a forma como os doentes vivem a realidade da doença oncológica em Portugal, integrando a perspetiva do doente nas políticas de saúde em Portugal», afirma Gabriela Sousa, presidente da SPO. 

Num inquérito realizado em 2015 a profissionais de saúde ligados à oncologia, as conclusões iam mais longe: 98% admitiam que a comunidade científica em Portugal não tem as mesmas condições financeiras para a investigação comparativamente com outros países da União Europeia; 90% afirmavam que o Governo português não faz o investimento necessário para que os doentes tenham acesso às terapêuticas mais avançadas e eficazes. Ideias que também são partilhadas por cerca de 60% dos doentes oncológicos. 

Sobre o inquérito:

O inquérito com os doentes esteve disponível online entre os dias 18 de setembro de 2017 e 08 de outubro de 2017 através de uma plataforma online com sistema de preenchimento e recolha de participações. O universo de inquiridos é constituído por indivíduos de ambos os sexos, doentes ou pessoas com antecedentes de doença oncológica, residentes em Portugal. Teve um total de 333 participações.

Aceda aqui aos dados completos do inquérito.