Mais de 450 profissionais de saúde debateram o futuro da oncologia na Figueira da Foz
24 de Novembro2016 Mais de 450 profissionais de saúde debateram o futuro da oncologia na Figueira da Foz


Mais de 450 profissionais de saúde reuniram-se na Figueira da Foz, nos dias 17 a 19 de novembro para debater o futuro da oncologia em Portugal, no Simpósio Nacional SPO 2016. «Penso que as pessoas não se arrependeram destes três dias de forte atividade e grande convívio. Espero que todos tenham saído daqui cheios de ideias e com vontade de implementar essas ideias na prática clínica corrente», afirma Gabriela Sousa, presidente da SPO. 
A edição deste ano iniciou com o 1.º Encontro Nacional de Internos e Jovens Especialistas de Oncologia no qual foram abordados os mais importantes desafios de um jovem oncologista, com debate de ideias e partilha de experiências. «O balanço é muito positivo e acho que foi uma aposta ganha», declara Miguel Abreu, presidente do Núcleo de Internos e Jovens Especialistas
Este dia também marcado pela intervenção de Fátima Cardoso, especialista em cancro da mama do Centro Clínico Champalimaud. A investigadora defendeu a criação em Portugal de um grupo cooperativo de investigação na área do cancro, que possa agilizar processos logísticos e acesso a financiamentos. «É importante termos uma organização a nível nacional que traga para debaixo das suas asas os esforços que já estão a ser feitos em algumas áreas», explica. 
O primeiro dia de trabalhos assinalou também o Dia Mundial Contra o Cancro do Pâncreas com uma sessão partilhada pela SPO, Europacolon e o Grupo de Estudos de Cancro Digestivo. Numa sala iluminada a roxo, cor associada do Cancro do Pâncreas, a sessão contou com a apresentação da campanha In It Together, desenvolvida pela World Pancreatic Cancer Coalition e a Plataforma Multissectorial Mundial sobre Cancro do Pâncreas. De acordo com Vítor Neves, presidente da Europacolon, esta iniciativa serviu para «alertar quer as instituições nacionais, quer as internacionais, para uma doença que afeta muitas pessoas e núcleos familiares».
A jornada terminou com a tertúlia "Cancro, Doença Maldita”, onde foi visionado parte de um documentário sobre os avanços e recuos do tratamento oncológico. «Consideramos de interesse passar ensinamentos vividos num passado recente aos que farão parte do futuro da história da oncologia», afirma Gabriela Sousa, presidente da SPO. 
No segundo dia de Simpósio, depois de um debate que reuniu especialistas e decisores políticos à volta do tema "cobertura e organização dos cuidados oncológicos em Portugal”, Gabriela Sousa apresentou "Os Compromissos para a Oncologia”. Trata-se de um documento com medidas concretas e de urgente implementação, que reúne três áreas prioritárias: o Registo Oncológico Nacional (RON), o acesso a cuidados de qualidade e a equidade no acesso à inovação. «Só com uma discussão alargada, com envolvimento da sociedade civil e das entidades governamentais, conseguiremos mudar a realidade do cancro no nosso país», explica a presidente da SPO. 
Uma das novidades do Simpósio deste ano foi a presença de profissionais da Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa (AEOP). Como a Oncologia é cada vez mais uma área multiprofissional e multidisciplinar, o convite alargou-se aos enfermeiros. «Trouxemos para o Simpósio aquilo que vivemos no nosso dia-a-dia: médicos e enfermeiros a trabalharem de mãos dadas em prol de melhores cuidados para os doentes», afirma Gabriela Sousa.

Imuno-oncologia e biomarcadores em destaque 
Pedro Barata, da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, comentou, na sessão "Desafios no tratamento sistémico”, o estado da arte da imuno-oncologia e afirmou que «os doentes chegam às consultas já a conhecer e a perguntar sobre a abordagem terapêutica e se podem ser incluídos nos estudos». A pseudoprogressão, o feito abscopal, a questão das respostas duradouras para um subgrupo de doentes, a avaliação das respostas e as toxicidades foram alguns dos temas abordados. «Não é para todos os doentes, é para doentes e doenças selecionadas, mas a imunoterapia está aí e a excitação é justificada por resultados fantásticos», realçou Pedro Barata. 
Fernando Schmitt, do IPATIMUP e Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, falou sobre o valor do estudo dos biomarcadores e aposta na tecnologia durante a sessão científica "Medicina de precisão - aplicabilidade clínica”. O especialista relembra que «existem muitos marcadores já na prática clínica que são utilizados em todos os lugares, mas obviamente a potencialidade da tecnologia é muito grande e o caminho ainda é longo a percorrer». 

O Simpósio em números 
Estiveram presentes no Simpósio Nacional SPO 465 participantes, dos quais 124 convidados e palestrantes. Durante os três dias do evento realizaram-se trinta sessões: seis sessões científicas, sete da indústria farmacêutica, cinto de enfermagem, cinco no âmbito do 1.º Encontro de Internos e Jovens Especialistas e 7 outras sessões. 
No total, foram apresentados 60 trabalhos: 58 na área médica e dois de enfermagem. Foram atribuídos sete prémios, com um valor monetário de mil euros, aos melhores trabalhos nas categorias cancro do pulmão, próstata, pâncreas, mama, ginecológico, outros tumores e caquexia/nutrição. Foi ainda atribuído um prémio no valor de 500 euros ao melhor trabalho de enfermagem.